Vinho oxidado, foto Michele Molinari

Imperfeições e defeitos são assuntos discutidos em relação a vinhos naturais. Vinhos naturais são feitos sem ou com pouco de SO2, que os deixa mais sensíveis a oxidação. Foram interessantes as entrevistas de Jancis Robinson com Alice Feiring e vice-versa, na feira de vinhos naturais. Alice Feiring como uma entusiástica de vinhos naturais, acha que os críticos na Inglaterra são restritos demais na definição do que é defeituoso e oxidado. Ela concorda em achar ruim quando isso domina, igual à uma forte influência de Brett, mas quando é só uma leve influência, pode dar uma outra dimensão e não fica ruim. Jancis Robinson é aberta quanto a isso, achando alguns vinhos naturais muito bons e cheios de vida, mas não todos, outros ela acha oxidados demais e tem dificuldade em aprovar. Há muitos críticos que afirmam que vinhos oxidados com ruins cheiros, devem ser considerados defeituosos. Eles não se convencem que só por causa de serem vinhos naturais, eles deveriam ter uma outra consideração e serem treinados a gostar de algo que eles acham ruim. Constatam que se um vinho tem evidentes cheiros de acetaldeído (xerez-maça-sidra), simplesmente é oxidado e defeituoso.

Por outro lado, vinhos tradicionais foram feitos de uma maneira mais oxidativa, comparado a mais moderna vinificação de hoje. Se os aromas forem levemente oxidativos, e o vinho realmente for prazeroso, então talvez não precisa ser rejeitado, de igual maneira que muitos apreciam um leve Brett em um bom vinho de Borgonha. Um exemplo disso é um vinho avaliado recentemente por Jamie Goode ver aqui. Ele pensa que muitas pessoas declarariam esse vinho como oxidado de imediato do cheiro inicial. Jamie Goode achou que o vinho certamente teve muitos caracteres oxidativos, mas deixando os aromas passarem, ele descobriu interessantes camadas de sabores se desenvolverem, e realmente gostou do vinho. Ele pensa que pessoas com uma mente aberta podem reconhecer as qualidades.

Na questão de imperfeições, não necessariamente oxidação, o enólogo Duane Bowman, de Cricket Hill Winery,em Oregon, fez a seguinte pergunta no grupo My Wine Studies de Luiz Alberto:

Dois vinhos: ‘Um vinho é rico, complexo, tem aromas finos, longo final, em resumo um vinho único e prazeroso que não se enquadra em um molde, mas você sabe que com certeza é infectado e vai morrer em 6 meses. O outro vinho é limpo, bem feito, típico do caráter varietal, mas similar à um grande número de vinhos do mesmo tipo, um excelente vinho, mas sem nada particular ou único. Questão : Qual vinho você escolheria beber?’

Duane continua: ‘Quando o vinho começa a ser chato? Não há mais surpresas nos vinhos feitos da maneira redutiva de hoje? Um vinho que oferece uma rara imperfeita beleza não pode ser superior à um vinho correto – a imperfeição facial reduz a beleza de Cindy Crawford?  Em suma, me vejo desapontado repetidamente por vinhos feitos ‘em acordo ao manual’ de grandes (respeitadas) vinícolas, onde o produtor é proibido por decreto de gerenciamento a tomar qualquer risco - reduzindo efetivamente a vinificação à um exercício técnico, em vez de uma arte.’